Página em branco com pensamentos, poesias, fotografias, filmes, músicas, pinturas.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

A Escada (Edu Krieger)




Cada degrau que eu subo é uma festa
De festa em festa vou subindo com prazer
Olho pra cima e vejo o quanto resta
A escada é tão comprida
Que eu nem consigo ver

Mas sei que lá no alto dessa escada
Existe alguma coisa além do nada
Eu subo, passo a passo, até o final
Sabendo a importância
De subir cada degrau



http://www.youtube.com/watch?v=h-hIDwcfyCY
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Já conhecia algumas músicas compostas por Edu Krieger, mas só hoje descobri o seu CD, sua cara...
Enfim...

Adorei!

Domingo



Está terminado
Tudo está acabado
Foi-se embora a ilusão
E a tristeza se foi, é passado

Agora está aberta
A porta do meu coração
E faz sol, é um dia bom
O domingo passou...

Que o domingo traz consigo
Prazer com gostinho de dor
Segunda antecedida
Presente, sentida com fervor

Precisamos reconhecer
Uma sutil diferença entre eu e você.
Eu amo e não sei o que
Você sabe, mas não tem querer.

Deixe chegar a alegria de se descobrir
De caminhar sem se perseguir
Sem tentar entender, olhar e retribuir
Que tudo vai se encontrar, que a vida vai florir.

Já que está terminado
O tempo de sofrer pra conseguir
Uma alegria no peito
A felicidade no eterno porvir

Está terminado
Tudo está acabado
Foi-se embora a ilusão
E a tristeza se foi, é passado.

(Scheilla Franca)

sábado, 28 de maio de 2011

De manhã



Os lábios
Há muito desbotados
Vestiram-se de folia
Traduziram-se em flor
E arriscaram um sorriso
Ainda trôpego, meio
Indeciso.

Mas como fica lindo
Aquele sorriso
Tropeço discreto
De uma alma
Indescritível
Como a Lua no céu de
Junho.

Nesse tropeço, eu caí
Sorria, meu bem
Que ver você florir
Feitiço de Lua
Fez de mim
Versador de alegrias
Trovador.

Seu sorriso
Mimoso, dividido,
É Monalisa, é inspiração
Máxima expressão
Que paralisa as dores
Afasta os males, acalma
Os mares e desperta a criação.

(Scheilla Franca)

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Canção de Peixes


Arco-Íris (Casuarina)
Além do arco-íris o mundo é mais belo
Tem tanto castelo suspenso no ar
Além do arco-íris o tempo é sem pressa
Pois nada começa
Nem pode acabar
Além do arco- íris até mesmo o sonho
Não fica tristonho de ser sonho só
Além do arco - íris a lua é mais cheia
E o som pela areia espalha ouro em pó
Além do arco- íris as nuvens não correm
Os rios só morrem nos braços do mar
Além do arco - íris não tem céu deserto
E o longe é mais perto
Que qualquer lugar
Além do arco-íris mais livre descalça
A vida é uma valsa falando de amor
E o próprio arco - íris a gente até acha
Que dorme na caixa de lápis de cor...

O Círculo



Deixa-me ir, deixa
Esquece de interferir
Que aí a canção vai fluir
Que então tudo vai se encontrar

Não esquece que as palavras
São tintas de sentir, matéria
de tingir o pensamento
Deixa seguir, deixa seguir...

Pra que insistir em colocar
O pensar na frente do sentir
Sinta-se à vontade
Com vontade de seguir.

Deixa ir
Deixa amar
Deixa fluir e
Deixa-me ir, deixa.

(Scheilla Franca)

terça-feira, 24 de maio de 2011

Nosso estranho mundo, Sofia...



Porque nos desencontros do universo criado por essa diretora eu me encontro.
Lá posso ser Marie Antoinette. Ser suicida e renascer, virginal.
Não há de haver melhor tradução perdida por aí
Do meu sentimento de eterno reencontrar o desencontro.
E o reencontro é inevitável. Em algum lugar. Um lugar qualquer
nos planos gentilmente sentidos dessa menina.
Estamos às voltas em nosso mundo, estranho, mundo, Sofia...

Filmografia:

Virgens Suicidas
Encontros e Desencontros
Maria Antonieta
Um lugar qualquer

Oração



Vem, Amor
Vem me ensinar
A escutar estrelas e
A respirar as solitárias faíscas

Que brilham no fundo dos olhos meus
Diante do Espelho. Amor, me ensina a deixar
De mentir. Vem revogar as leis que rotinam o roer
Das cordas do trapézio, das cordas do boneco, das cordas da harpa.

Me acorda. Arranca do meu coração essa farpa em feitio de cruz
Lançando sobre a Alma minha Luz. Feixes de cores tranquilas e perfumes
azuis. Vem e me conduz, Amor.  Abre os meus olhos pro interior. Me traduz. No mar, no mar.
No labirinto dos minutos transcorridos seja Espelho meu, Amor. Seja lá o que eu for: seja e sou.

(Scheilla Franca)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

NICK DRAKE



The Thoughts Of Mary Jane


Who can know
The thoughts of Mary Jane
Why she flies
Or goes out in the rain
Where she’s been
And who she’s seen
In her journey to the stars
Who can know
The reason for her smile
What are her dreams
When they’ve journeyed for a mile
The way she sings
And her brightly coloured rings
Make her the princess of the sky
Who can know
What happens in her mind
Did she come
From a strange world
And leave her mind behind
Her long lost sighs
And her brightly coloured eyes
Tell her story to the wind
Who can know
The thoughts of Mary Jane
Why she flies
Or goes out in the rain
Where she’s been
And who she’s seen
In her journey to the stars

Sobre a canção vermelha



O destino me deixou
Numa noite cinza de fevereiro
Frente a frente com o espelho
De um amor sereno

Mas me deixou esse amor
Deixado pelo destino
Uma flor vermelha
E uma canção sem letra

Vou apenas me deixando
Deixar as palavras seguirem seu
Destino,  versando sem queixas
E sem destinação

Sobre o amor vermelho
De uma noite cinza
Que em fevereiro no sereno
O destino me deixou

E sem deixas partiu
Deixando em mim, perfume
Eu deixei a dor que o destino
Deixou e plantei a Cor

Da Flor predestinada,
Que seguiu seu destino.
A lua serenou e brotou
Uma letra de amor em botão.

 (Scheilla Franca)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

“Além da vida”, de Clint Eastwood




Uma de minhas últimas experiências de conforto no cinema.

(Essas linhas tem tons absolutamente pessoais. Esqueci do meu diploma de comunicação quando escrevi. Mas ele (o filme) me fez tão bem, que não posso deixar de falar...)

Com um tom cotidiano, eu estou diante de personagens que estão para descobrir-se e se vêem envolvidos em um tsunami de acontecimentos e sensações que os fazem mergulhar dentro de si mesmos.

É um filme de contatos. De toques. De sensibilidade.

É sobretudo um filme sobre conexões, nas mais diversas dimensões que esse termo pode conter. O exterior e o interior entram em contato. Como as três histórias e se entrelaçam. Como as teias do destino. Como os planos da Terra e do Espírito. Matéria e Alma. Amor, Direitos, Deveres. Fragilidades.

De experiências agigantadas, exteriores, extraordinárias.

Mas que conduzem ao interior, a aceitação de quem se é.

O auge do filme. O encontro com o outro e, por conseguinte, consigo mesmo.

Aceitando os planos de sua vida comum e não tentando negligenciá-los é que o médium consegue enxergar-se e completar-se.

O tsunami que vivencia Cecile de France, no início do filme, não é maior que a revolução do seu modo de encarar as coisas no desenvolver do filme e, com certeza, não será mais impactante e revolucionário do que aquele encontro suave de mãos, tão emblemático quanto reconfortante.

É o reencontro. De almas (partidas, ao meio, repartidas, divididas) que saem do eco para encontrarem-se no diálogo.  É um filme sobre encontros e reencontros. Do conforto de ser quem se é.  De ouvir o que nos toca. De estabelecermos conexões.

Aceitação. Sossego. Calma. E novos desafios. Sem solidão, sem a dor que atropelava o destino e nublava a visão dos personagens. E o tsunami dá lugar à serenidade.

São só sensações.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Desassossego



O que é isso que eu desejo
E não tem nome
Que é fome, que é sede
De algo que nunca vejo

Por inteiro. Estou longe
Só sinto o cheiro
E desejo. Desejo de ser
Quem eu sou

Mas estou longe.
Sinto meu coração bater
Bater apertado,
Descompassado.

Quero ser hoje.
Que o passado não pode
Resolver o que virá.
Só o hoje desenha o amanhã.

E o destino envia cartas
Língua desconhecida
Espelho reverso
Saudade sem verso

É sufoco. É pouco.
Estou perto e não vejo.
Não consigo enxergar.
Sou o desespero na espera

Sem quimera.
Quisera eu poder
A alma curvar e servir
Vir a ser, enfim.

(Scheilla Franca)

terça-feira, 17 de maio de 2011

Lua



O próximo plano é o da Lua,
cortada pelas nuvens.
A menina da janela olha e vê a Lua.
Sente ampliado o seu olhar...
sente cheio o seu olhar.
E vai à Lua tomar Sol.

(Scheilla Franca)

Estilhaço



Sua doçura é vil
Quando me reparte aos pedaços
Centenas a mil
Com o único intuito
Simplório e ardil
De me levar uma parte
Souvenir de abril

E ao cair no chão
O estilhaço vira tempo
O tempo vira espaço
E eu me transformo
Nos minutos que vivemos
Nas músicas que ouvimos
E no valor que não demos

Agora o que nos resta
O quinhão da saudade
A vagar pela cidade
Espalhando nossas centenas
Pra que alertem
Os corações ainda inteiros
Que antecedem esta cena.

E eu não vou mentir
Que tudo que faço
É pra me ver em estilhaço
E ter de mim um pedaço
Junto ao teu coração de porvir.
Dançando esta cena, sorrateira,
Não finjo, posso até mesmo sorrir.


(Scheilla Franca) 

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Breve comentário sobre Paciência


A vida não para, a vida não para, não.
Tem dias que sinto invadir o peito uma luz
Mas não consigo ver ao certo o que clareia.
Será que é tempo que me falta pra perceber?
Mas a vida não para, não é?
E a minha loucura cultivada, arquiteta a normalidade
Dos segundos que se vão. Em vãos.
Nunca em vão. Que cada segundo transcorrido
Traz em si, a semente de nossos sonhos.
Porque a vida não pára, mas o sonho pede
Um pouco mais de calma. Mesmo assim
a luz no peito, abre-se azul e espera
o momento de fazer brotar um mundo.
Nosso universo particular. Germinar.
E quem quer saber? A vida é tão rara.
E o corpo continua a gritar por mais alma.
A vida não para, não para.

Linda música de Lenine. Vale pensar um pouco a respeito.



Paciência (Lenine)

http://www.youtube.com/watch?v=je-RTYbzoEk

Par, Ímpar




Estou com sono, eu tenho medo só
Não é segredo e só eu sei
Eu fujo só do que não sou

Mas eu só corro em círculos
Me reinvento e está lá
A página em branco e o medo só

O que não sou também
Eu só não entendo por que.
E eu me pergunto o motivo

De não saber. É que não vou só
Ao encontro do que só eu sou.
Só ouço uma voz minha, rouquinha:

Porque quer branco, quer ser branco só
Quer ser nula, quer ser cidade
Quer ser país, não quer ser só.

Só estar. Só não se iluda,
Diante do espelho, ninguém pode estar
Só.


(Scheilla Franca)

domingo, 15 de maio de 2011

Alquimia



Não é lícito, não é direito
Fazer bater assim no peito
Um coração distante e apagado
Brasas em cinzas
Tempo passado.

Não é fácil, nem é verdade
A realidade que você me propõe
A compor olhares e convites
Em versos, compassos
E em contradanças.

Não sou criança, tampouco você
Mas não pare, por favor
Que essa nossa relação não é
Lícita, nem de longe é de verdade
Nem é fácil, mas é de direito

Que a vida flua
Que a sua voz me cante
Que o seu coração me transplante
E converta
Carvão em diamante

Cinzas em brasas
Eternidade num instante
Torpor em alegria
E ora veja se não é
A música uma alquimia.

(Scheilla Franca)

SAMBA...

Porque meu coração bate selvagem e gentil,
verde e rosa...





Alvorada lá no morro, que beleza
Ninguém chora, não há tristeza
Ninguém sente dissabor
O sol colorindo é tão lindo, é tão lindo
E a natureza sorrindo, tingindo, tingindo
( a alvorada )
Você também me lembra a alvorada
Quando chega iluminando
Meus caminhos tão sem vida
E o que me resta é bem pouco
Ou quase nada, do que ir assim, vagando
Nesta estrada perdida. 


(CARTOLA)


http://www.youtube.com/watch?v=lEHA2F5cmok

sábado, 14 de maio de 2011

Coração Destemido


Coração que não tem medo
É que nem água marinha
Que corre em segredo
Por cima, soa calminha
Por baixo remove rochedos.

Coração que não tem medo
Irradia luz, desfaz a escuridão
Inexplicável energia
Que enche de alegria e leva embora
As dores, nostalgia e dissabores.

Coração que não tem medo
Teme, acima de tudo
Ser corajoso, destemido demais.
Aí ninguém vai ouvir seus ais
E a solidão, ele sabe bem como dói.

Quem não tem medo, coração?
Eu bem sei, que neste mundo não há
Um coração que não estremeça
Diante de um perigo, desafio ou amor
Porque esses não há como controlar.

(Scheilla Franca)

Minha página em branco


(Vladimir Kush)


Que venham as minhas cores. Palavras, pensamentos, filmes, músicas, poesias, noticias, comentários, exclamações, sustos, encantamentos, pinturas que, ainda que não sejam minhas, muito me pertencem. E pertencem a todos que se identificam. Compartilhemo-nos. Porque o desconhecido, muitas vezes, se esconde atrás do trivial. Do mais trivial pensamento. Aquele a quem não dou devida atenção ou subtraio valores. Que nada é como a gente vê. E nada deixa de ser.