Página em branco com pensamentos, poesias, fotografias, filmes, músicas, pinturas.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Um sonho premonitório

Sonhava isto: eu e este homem 
dissolvíamos o entardecer de um futuro dia
Entrelaçados por tons de Fênix
Em um mar grande que era céu e sol.
Enganchadas minhas pernas em tua cintura
Os braços abertos e os olhos para dentro
Não tinha chão, não
Eu era o fim e tuas mãos
Num aconchego de abraço
Me davam contorno e me sequestravam
Propondo outro dia que acabava de nascer
Nos seus olhos, eu via, o sol acabava de nascer!
Nos mesmos olhos onde vivia eu
Mais velha, e nós, multiplicados, Antero.
Registro aqui na esperança
Que tal sonho seja dia de fato entardecido
e renascido, um dia.
(Scheilla Franca)

domingo, 3 de dezembro de 2017

Vênus em Câncer


Domicialido em nossas palavras
Há o silêncio que faz
Dançar as distâncias
Juntar nossas errâncias.
Dia desses pegando o coletivo
Para o lugar que partirei
Sonhei com tua casa.
Lá estava o sol em Peixes
Iluminando o soterrado que
Respira terra e mar, protegido.
Só as mãos para fora.
Em silêncio contando
Com minha distração solar.
Tu sabes que podes, sempre podes
Me fisgar em silêncio.

(Scheilla Franca)

Partir partir


Parta e vá te
Parir Parta
parta não Importa 
que parte sua
se vai parar
No parto
vai borrar
o nome e o corpo e
se o coração parar
Parta
Parta
Parta
Sem ponto
No mais puro imperativo soteropolitano
Dois pontos
Cresça crie forças nas pernas
E vai se parir por aí, por aí
Mesmo sem esperança
Mesmo sem esperança
Faça força e vá se partir por aí
(Illa Franca)

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Retorno de Saturno

Dedicado à Raquel Rocha

Em poucas linhas
me indefino hoje. Elas
Estão sob meus olhos,
Prateando meus cabelos,

Ao redor da minha boca,
Nas palmas das mãos,
No colo, me aninhando,
São escudo e proteção.

Saturno me ensina
Que o hoje foi escrito
Com essas linhas do coração,

e eu parei, calei pra ouvir.
Por essas linhas
Vale a pena, parar e seguir.

O futuro eu vejo com a cicatriz de catapora que marca meu terceiro olho.
(Scheilla Franca)

Mal de Lua



Querer saber o por quê
Por que o por que quer saber
do que devia bastar 
No que já é, se é que é, ou será?
Mas com o olhar, o sorriso e o arrepio
Já corre juntinho o pensamento
A indagar, perguntar, inquirir

Se é, por que será, não é?

É mal de lua
É bem da lua em Gêmeos.
Nao se contenta em sentir
Tem que buscar, cutucar,
Entender, racionalizar e confundir
Correr de um lado a outro
até o dedo mindinho, sem descansar

O que é, se é, o que será, não é?

Não bastasse passar o dia
A me despetalar em poesia
malmequer, bem-me-quer,
Mal de lua cheia de interrogação
Pra lidar com esse seu teretetê
Tem que tentar entender o por quê
Quando devia bastar o sabe-se la o quê.

Porque o que é, se é que é, um dia será.
Não é?

(Scheilla Franca)

Chama


Tem chama que faz brotar vendaval
Num sorriso. E eu, indeciso, não sei se fico ou se saio
No meio desse temporal astral carnal ilegal

Tem gente que é chama, tem
Tem gente que chama e não vem
Sair é correr o risco de ser pego por um corisco

Aquele trovão arisco que vem
Com o vendaval, chama de temporal,
E me risca os céus e divide o pensamento

Astral carnal ilegal
que brota dum sorriso que é chama
que chama e eu não sei se vou ou se fico.

(Scheilla Franca)

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Eu


Estava
Em um hotel antigo
Em feitio de coliseu

Era noite e
Eu vestia minha pele
E com minha pele apenas

Enfim descobri como
Era estar em paz
E em mim

Essa coisa de pele
Essencial
É

(Scheilla Franca)